Excertos de uma longa temporada em Corumbau

Bêbado e vadio #4546 ***Vou deixar uma nova postagem aqui engatilhada. Eu ainda escrevo em blog. Algo como gravar fitas K7 para pessoas que não tem onde ouvir. To exercitando esse lance de escrever sem olhar pro tecladeO e sem oensar.  Sabe como é: em 2004 eu tinha um blog que estourava. Várias visitas por dia. Comi altas gatas por causa da minha milonga naquelas plagas do blogspot. Minha lábia era afiada porque eu lia muito. Rótulos de embalagens, quadrinhos, biografias de suicidas ilustres, romances históricos até histórinhas pra boi dormir. Assim era quando eu não sentia nada. 

O vento sul noturno açoita o litoral sem o menor sentimento pelas casas costeiras. Castanheiras e suas imensas folhas sacodem como se fossem despedaçar. Minha necessidade de ficar entorpecido diminui. Não evito. Deixo fluir com a música e a necessidade de criar algo na prancheta.

Cheguei aqui nas oitavas de final da Libertadores 2023. Nunca vou me esquecer a recepção dos amigos e a pilha para acompanhar a partida. Quando chegamos aqui não havia nada planejado. Eu tinha certeza que minha casa seria vendida em breve. Era agosto. Eu escapava de uma depressão pós fomento, de 11 temporadas em 18 meses. Queria desaparecer. Ir para algum lugar onde não pudesse ser encontrado. Por isso parei em Corumbau. Agora, 10 meses depois, recebo uma ótima proposta de trampo e começo a elaborar a volta para SP.  


Tantas vezes.  

Eu me isolei num lugar distante cercado de falésias. Eu me isolei. E um grande amigo se matou nesse tempo. Às vezes olho para o oceano e penso nele. Um vontade escrota de chorar me atormenta. Tento segurar. E sigo em frente. Eu te amo, Diego Basanelli. Ainda vamos nos encontrar.

Alguém precisa lembrar as pessoas que no paraíso existem muitos insetos. Sua pele é comida e chupada por diversos tipos de moscas e borrachudos. De dia, varejeiras fluorescentes circulam sua cabeça em movimentos ruidosos como um helicóptero americano e impedem que vc tenha qualquer tipo de pensamento coerente a não ser escapar de um possível protozoário. Após algumas semanas vc se acostuma forçadamente ao fato de que vc está invadindo o território dos insetos. Insetos imensos que atraem dezenas de lagartixas, que cagam de seus minúsculos intestinos, matéria fecal de moscas.

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