De vez em quando eu mergulho meu pé esquerdo, suavemente, na música nacional. Não costuma ser assim. Durante anos absorvi muita música ocidental, quase exclusivamente. Rock, blues, punk e algumas paradas de hip hop, teve umas porcarias eletrônicas tb. No ensino médio eu tinha alguns discos de reggae e música brasileira, um LP do Tortoise com o Bonnie Prince Billy que tinha uma versão de “Cravo e Canela”, do Milton Nascimento. Mas era só pq o o Bonnie Prince era um indie de merda. Nesses dias preguiçosos na Bahia, acabei montando uma playlist com minhas músicas brasileiras favoritas. Quando estou sozinho em casa ou quero agradar a vizinhança num churrasco, deixo ela tocar e acabo me lembrando da minha infância. Por quê malditamente eu neguei tudo que meus pais me apresentaram de música brasileira? Teria eu vergonha desses mpbzera que encontrei nos rolês através da vida? Ah fodasse. Algumas músicas tem o poder de te derrubar. Eu prefiro não entender as letras. Algumas músicas me lembram de dias nublados, de quando eu era um moleque de jaqueta jeans, com poucos amigos e um apetite destrutivo por drogas pesadas e comida barata de rua. Eu sempre tentei me vestir como meus ídolos.
caminhamos a passos largos rumo à inexistência. 330 mil mortos ficaram para trás e agora a vida é completamente sem valor e sem sentido como um barco no olho de um furacão. às vezes me pergunto como chegamos aqui, mas essas questões estão soterradas pela paranóia de não parar num dos hospitais abarrotados espalhados pelo país inteiro sem conseguir respirar. a variante P1 dominou o território brasileiro sob a tutela do cria de bernes boolsonaro, um verme covarde genocida. não consigo encontrar palavras para registrar essa desgraça como deveria. sei que ninguém vai ler, mas espero estar vivo para poder defecar na cova da família bolsonaro. por todos esses mortos.
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