De vez em quando eu mergulho meu pé esquerdo, suavemente, na música nacional. Não costuma ser assim. Durante anos absorvi muita música ocidental, quase exclusivamente. Rock, blues, punk e algumas paradas de hip hop, teve umas porcarias eletrônicas tb. No ensino médio eu tinha alguns discos de reggae e música brasileira, um LP do Tortoise com o Bonnie Prince Billy que tinha uma versão de “Cravo e Canela”, do Milton Nascimento. Mas era só pq o o Bonnie Prince era um indie de merda. Nesses dias preguiçosos na Bahia, acabei montando uma playlist com minhas músicas brasileiras favoritas. Quando estou sozinho em casa ou quero agradar a vizinhança num churrasco, deixo ela tocar e acabo me lembrando da minha infância. Por quê malditamente eu neguei tudo que meus pais me apresentaram de música brasileira? Teria eu vergonha desses mpbzera que encontrei nos rolês através da vida? Ah fodasse. Algumas músicas tem o poder de te derrubar. Eu prefiro não entender as letras. Algumas músicas me lembram de dias nublados, de quando eu era um moleque de jaqueta jeans, com poucos amigos e um apetite destrutivo por drogas pesadas e comida barata de rua. Eu sempre tentei me vestir como meus ídolos.
2 e onze
Se chegar tão longe fosse o suficiente. Não consigo escapar. Todos esses mosquitos picando minhas pernas. Viciados em sangue como todos meus amigos viciados em afeto. Eu entendo meus amigos que se mataram. Nessa mesma hora. Enquanto todo mundo dorme e nem sonha que existe um solitário completamente transtornado pensando em suicídio. Vc teve a coragem, meu parceiro. Eu te invejo por isso. Mas sinto muita raiva. Por quê vc não me ligou antes? Meus braços estão pesados para isso. Seu filho da puta. Todas as histórias. Nossas. Vc levou embora. Toda nossa vida foi ceifada. Agora estou aqui acordado no fim da madrugada. Preciso dormir Tá pesado demais, irmão
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