Nem lembro a última vez que visitei este lugar. As ferramentas de busca sequer localizam este lugar. É algo inexistente a não ser para minha pessoa anônima. Talvez por isso eu ainda venha aqui e gaste um tempo escrevendo coisas que ninguém vai ler. Incluo eu. Professional do obscuro. Quando me falavam de underground já abraçava essa filosofia há muito tempo. Quero consumir todo lixo cultural do submundo e tentar transformá-lo em algo nos porcarias eu produzo através do meu estômago.
Nem existo mais. No lugar mais distante. Escolho músicas e desenho sem grande pretensões. Não nego que sinto a falta brutal de SP. Dos meus amigos. Da noite que vira dia. Das ressacas mórbidas. E do teatro. Enterro minha cabeça na areia sob às falésias. Eu consigo escutar as mesmas músicas que eu escutava quando era criança e ainda me emociono com elas. Ou com quem eu era. Enterro minha cabeça nas areia.
Tá tudo meio estragado. Talvez seja a Lua cheia. Ou a precariedade desse rolê. Meu celular falha. O carro liga quando quer. Minha prancheta despencou e todo meu material de desenho está aos frangalhos. Tudo é longe. Foda-se. Por isso estou aqui. Longe das drogas pesadas e das fofocas. Bebendo como um cavalo de corrida. Pelo menos não tô injetando.
Eu podia tá injetando. Eu podia tá chupando lata, seus filhos da puta. Meus dentes deveriam estar caindo entre meus dedos nesse exato instante, enquanto músicas que nunca tocaram no rádio tocam na minha cabeça. Tchau. Tô naquela viagem que te impede de dormir. A biografia de 700 páginas do Elvis vai resolver isso. Boa noite. Que música era aquela?
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