Sim. Eu ainda existo. Apenas não sei mais quem sou. Não reconheço mais meu país. Meus familiares são completos estranhos. O bairro onde moro há 20 anos se transformou num canteiro de obras. O fascismo pentecostal entrou como um parasita invisível em todos os cérebros dessa nação e carcomeu toda a esperança. Hoje é um dia triste. Um dia decisivo. A transição está tomando forma e tudo me empurra para o desaparecimento voluntário. Jogo a toalha suja de suor e sangue de anos dedicados à divertir as pessoas, seja com música, teatro ou os meus desenhos. No atual momento, eu quero sumir, me esconder em algum canto com minha mulher e meus cachorros e ser esquecido. Porque, de fato, eu quero esquecer de tudo que esse país representa atualmente. Se eu ficar nessa cidade escrota, sobrevivendo das migalhas dessa cultura escangalhada, vou precisar de muita droga pesada para suportar. Então, foda-se todo o Sul desse lugar de merda do caralho. Chega de gentileza e cortesia. Eu quero que todos vcs se fodam
2 e onze
Se chegar tão longe fosse o suficiente. Não consigo escapar. Todos esses mosquitos picando minhas pernas. Viciados em sangue como todos meus amigos viciados em afeto. Eu entendo meus amigos que se mataram. Nessa mesma hora. Enquanto todo mundo dorme e nem sonha que existe um solitário completamente transtornado pensando em suicídio. Vc teve a coragem, meu parceiro. Eu te invejo por isso. Mas sinto muita raiva. Por quê vc não me ligou antes? Meus braços estão pesados para isso. Seu filho da puta. Todas as histórias. Nossas. Vc levou embora. Toda nossa vida foi ceifada. Agora estou aqui acordado no fim da madrugada. Preciso dormir Tá pesado demais, irmão
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