o sul da bahia segue como refúgio nesses tempos sombrios. a ansiedade diminuiu consideravelmente após quase dois meses longe da metrópole. onde estou não existe carros e isso melhora o humor. só uso a porra do carro pra não descarregar a bateria: a cada duas semanas pego ele e vou na boca, que fica a 40km por uma estrada de terra. uma boca comandada pelo CV, com traficas escondidos na mata como guerrilheiros das FARCs. o cara me serviu de um saco plástico forrado de droga ruim. droga comercial. prensado, balas fajutas e pó melado e batizado. serve pra apaziguar os sentidos quando me sinto muito entediado. apesar de ser um lugar bonito pra caralho, quentinho e agradável, ainda sinto que não pertenço a esse ambiente. evito as pessoas com rigor. bebo isolado nessa casa de praia rústica, com piso de cimento queimado e paredes de alvenaria e madeira. Os ratos parecem dominar o lugar mas já aprendi a conviver com eles. na segunda parto desse sítio em direção a outra praia mais isolada. minha maior preocupação no momento é onde conseguir mais drogas e uma tv. da maneira que venho levando a vida, se não vacilar consigo chegar à vacina sem me contaminar. assim espero.
2 e onze
Se chegar tão longe fosse o suficiente. Não consigo escapar. Todos esses mosquitos picando minhas pernas. Viciados em sangue como todos meus amigos viciados em afeto. Eu entendo meus amigos que se mataram. Nessa mesma hora. Enquanto todo mundo dorme e nem sonha que existe um solitário completamente transtornado pensando em suicídio. Vc teve a coragem, meu parceiro. Eu te invejo por isso. Mas sinto muita raiva. Por quê vc não me ligou antes? Meus braços estão pesados para isso. Seu filho da puta. Todas as histórias. Nossas. Vc levou embora. Toda nossa vida foi ceifada. Agora estou aqui acordado no fim da madrugada. Preciso dormir Tá pesado demais, irmão
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