nem lembro mais qndo entrei aqui pela última vez. seguimos no meio de uma tempestade de merda e germes, entre crises de depressão, ansiedade e automutilação. 200 mil pessoal mortas no país pelo covid. 9 meses de isolamento social. tudo aos frangualhos. esses relatos não serão lidos por ninguém, mas escrevo para tentar encontrar alguma quietude na minha mente. 

nunca fiquei tanto tempo sóbrio como fiquei em 2020. cheguei a ficar 3 meses sem qlquer substância enquanto o hpylori me comia por dentro. é fácil ficar abstêmio na dor. consegui inclusive abandonar os malditos marlboros vermelhos. que me acompanharam desde os 21, sem interrupções. achei que seria um sacrificio sobrehumano parar com o crivo, no entanto, pra quem já largou a tio herô na unha, a tarefa não foi tão pesada. lógico que o beque ajudou. tanto que tripliquei o uso. mas a ganja é responsável por eu ainda estar vivo hoje, ainda mais depois desse ano escroto que ficou pra trás no calendário. que ano...

e parece que foi só o começo. e acordo como todo filho da puta de meia-idade. com minhas cuecas esgarçadas e a pança protuberante em chamas. meu cabelo e minha barba entram por todos os orifícios do rosto. bato um açai e sento para ler o jornal. é ali, encarando a porcaria tendenciosa da Folha de SP, que meu pesadelo começa. lendo as matérias e as colunas começo a entrar num estado de fúria que só é aplacado com muito erva. fico dentro daquela nuvem assoando o rapé do nariz nas páginas do noticiário entre pegas vigorosos de uma catronca de prensado com colômbia e uma leve pitada de tabaco golden virginia. depois disso, vago pela casa e vasculho o celular. me tornei o que mais odeio. um aficcionado em smartphone. eu sou um grande desperdício.

já nem sei realmente quem eu sou. parece que faz uma eternidade quando eu entrava em cena chapado e passava as noites no bar. eu não sei se as coisas serão como antigamente. eu nem sei se quero isso realmente. eu só queria preencher meus dias com diversão e produzindo minhas arte. foi um periodo extremamente produtivo durante os meses que passei em Brasília. desenhei como um condenado, com poucos dias de vida. era como me sentia nos primeiros meses da pandemia. mesmo assim, sinto como se nada tivesse importância. esse lance de mudança radical de perspectiva é uma parada escrotamente devastadora. às vezes eu só queria ser um viciado largado no sofá e as únicas preocupações fossem comprar seringas novas e garantir de não esquecer de chamar o dealer antes do estoque acabar. sem há opcões...

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