maneiras para celebrar o fim do mundo
Ontem depois de assistir a um doc na netflix, fiquei imaginando um programa com Anthony Bourdain passeando pelas vielas de um mercado gelado chinês para mostrar a origem do coronga. me deu mó deprê. Mas pensando bem, ele foi o mais esperto de cair fora do rolê antes de virar uma roubada.
Bourdain nos ensinaria receitas infalíveis para nos distrair nesses dias de quarentena. Nada de suco verde na véspera do fim do mundo. Acredito que ele iria fritar um bacon com requinte num tempero sofisticado.
Ás vezes quando deito a cabeça no travesseiro, fico pensando em maneiras para celebrar o fim do mundo e já me enxergo numa varanda, com os olhos virados, chapado de heroína. Um marlboro vermelho pende no meu lábio inferior e uma long trincando descansa ao lado do cinzeiro. No som o disco novo da Fiona Apple toca alto enquanto eu brindo a esse momento histórico, essa pandemia de proporções bíblicas que parece longe do fim aqui no evangelistão. Pequenos devaneios de uma pessoa que sofre do estômago.
Após mais de 60 dias de isolamento e 40 longe de casa, pretendo encarar a rodovia novamente na próxima semana. Tudo isso para reabastecer meu estoque de entorpecentes. Em breve meu estômago estará cicatrizado e eu poderei encher minhas veias azuis com o néctar da felicidade nesses tempos de dor. Ficar lúcido e saudável deixou de ser uma opção.
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