Sinto que tripliquei meu consumo de maconha. Percebi agora que nao tem atalho pra palavra “maconha” no meu teclado do celular. Esse mundo de merda. Meu rosto iluminado por essa tela estúpida. Meus pensamentos enlatados. Tento ser útil à minha existência e me forço a produzir mesmo com as tripas em chamas e a ameaça de um vírus maldito flanando no ar. Pratico desenho e escrevo nessa bosta vezenquando. Arrisco a escrever um edital. Procuro um texto pra montar mas lembro que o teatro está na UTI. Respondo as mensagens em loop. Sinto falta das ruas e da doidera insana. Música alta e longas carreiras de cocaína num espelho. Latas de cerveja pela metade no batente das janelas. Acendo outra baga e dou uns pegas vigorosos. Nada mais será como antes, alguns dizem. Espero que sim. Não passar o beque pra mais ninguém me parece um ideia aprazível
2 e onze
Se chegar tão longe fosse o suficiente. Não consigo escapar. Todos esses mosquitos picando minhas pernas. Viciados em sangue como todos meus amigos viciados em afeto. Eu entendo meus amigos que se mataram. Nessa mesma hora. Enquanto todo mundo dorme e nem sonha que existe um solitário completamente transtornado pensando em suicídio. Vc teve a coragem, meu parceiro. Eu te invejo por isso. Mas sinto muita raiva. Por quê vc não me ligou antes? Meus braços estão pesados para isso. Seu filho da puta. Todas as histórias. Nossas. Vc levou embora. Toda nossa vida foi ceifada. Agora estou aqui acordado no fim da madrugada. Preciso dormir Tá pesado demais, irmão
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