bom, voltamos às aventuras tropicais de um artista fracassado sob um regime de extrema direita

ok, bateu uma claustrofobia.

às vezes, no meio da madrugada, eu tenho uma falta de ar desgraçada e acho que vou morrer de parada respiratória. porque eu acho que é assim que se morre de parada respiratória. então eu fico me esgoelando, com as duas mãos ao redor do pescoço, apavorado, tentando
respirar pelo nariz. eu sei que isso se chama ataque de pânico. pelo menos foi o diagnóstico do google.
decidi que não quero ficar mais trancado aqui ao lado do Hospital das Clínicas e do IML esperando a porra do vírus me exterminar. eu vou cair na estrad, numa espécie de incursão de guerra. disseram que a rodovia está live de carros, apenas caminhões e carretas circulam pela malha viária em sua eterna caminhada de entregas que faz o país funcionar. dizem que os caminhão são responsáveis por 80% da entrega de todas as cargas do Brazel.
então, após 16 dias de reclusão em Sampa vou arriscar novamente e atravessar 1000km de asfalto até Brasília. confesso que estou curioso pra ver a rodovia nesses tempos de pandemia. volto a escrever aqui quando me encontrar são e salvo no centro-oeste. não vejo hora.


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são paulo fantasma, 17° dia de epidemia
estou limpo a 28 horas e, é um bagulho muito louco porque nessa micro-espaço de tempo tudo já mudou e os sentimentos parecem voltar a visitar minha carcaça maltratada. me sinto vivo. arriado mas vivo. foi importante e prazeroso esses dias de vicio. tudo rodou um câmera lenta. me sinto calmo e plano como um monge quando estou sob o efeito de heroína. e isso é o que importa. mas tenho completa noção do seu poder de destruição. e com essa maldita epidemia seria fácil empacotar caso seja infectado. meus braços estão judiados com hematomas assustadores. pretendo ficar limpo até onde achar necessário. a estrada vai me suprir.

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o mundo não vai mais ser o mesmo depois dessa praga. a cultura e o teatro sofreram um golpe profundo em 2020. agora é juntar os cacos e tentar sobreviver. espero que em breve eu possa voltar a trampar nesses buracos mal iluminados da cidade e fazer as peças e os textos mais casca grossa que existem pra mim.

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