As melhores coisas que ouvi em 2018 são difíceis de lembrar pra minha mente castigada pela maconha e pelo sol que arde lá fora em pleno final de dezembro, quando São Paulo está fantasma e receptiva. Não lembro a última vez que fiquei na cidade nessa época. Talvez essas duas semanas finais do ano sejam o melhor que a cidade pode oferecer para um paranoico. Mesmo assim, estou desesperado pra cair fora desse caralho de lugar. Quero ficar longe dessa cerveja de merda e esses malditos que penduram nos meus cigarros. Mas voltando ao assunto das melhores porcarias que ouvi esse ano, antes que acabe e eu gosto de registrar essas coisas e perdi a senha do meu antigo blog bostumana. Preciso tentar escrever de novo aos poucos.
Amen Dunes – Freedom. Já tinha ouvido falar desse sujeito. De cara, achei que era uma mina chamada Amen. Sei lá. To escutando Freedom sem parar há umas duas semanas. Talvez por isso esteja tão desesperado pra pegar a estrada. A musica de Amen Dunes foi feita pra ouvir na estrada, no momento perfeito, que é entre 6 e 9 da manhã, enquanto todo mundo dorme, aumenta o som e desliza curvas ao som de “Blue Rose”. Porra, epifania. O folk psicodélico funciona na paisagem rural sob a luz raiada matinal;
Kurt Vile – Bottle It In – Kurt Vile não precisa nem falar. Eu praticamente escutei todos os discos desse cara e uma vez até dei uns tecos com ele no banheiro do Cine Jóia, quando ele tocou aqui em 2012. Falamos sobre Neil Young e fumar demais. Songs Ohia e Bonnie Prince. Grande noite. Nesse novo disco sinto que ele está cada vez mais hipster, mas não vejo isso de forma nenhuma como algo negativo. Ele vem dando um talento a mais em seus últimos discos e esse, na real, parece uma mistura do b'lieve i'm goin down com wakin on a pretty daze. Tem tudo do que ele vem fazendo com o plus de “Bassackwards”;
Father John Misty - God's Favorite Customer – Dá pra perceber que só escutei essas paradas de tiozão melacueca esse ano. Uns folk pah, c cigarrinho de maconha, uns coguzinhos na cachola e São Paulo paranoia ao redor, claro. Combina com tudo. Eu acabei indo a três shows do Joshua Tillman esse ano. Sério. Eu e minha garotas escapamos pro Texas e assistimos um lá. Completamente de ressacas numa cidade estranha. O Show foi curto. Menos de uma hora. Depois ficamos num motel de beira de estrada, estilo bukowski, mas na real, era a cidade de Bonnie Parker e Clyde Barrow, eu não tava entendendo porra nenhuma. Depois, em setembro, se não me engano, rolou mais duas apresentações. A de São Paulo, na sala Simon Bolivar, no Memorial da América Latina foi um dos melhores show que já fui. Apesar de ser configurado pra assistir sentado, naipe arena, e sem permissão pra beber, me diverti pra caralh assistindo a gig desse Elton John pós-moderno. Assim, depois desse overdose de FJM dei um tempo geral de ouvir esse truta. Mas o disco tem altas músicas lindas, como “We're Only People” que a gente tocou e cantou no Cemitério de Automóveis bem umas 37 vezes desde seu lançamento. Talvez a música que eu mais escutei esse ano.
Ty Segall – tudo que ele lançou esse ano eu escutei. E não foi pouco, já que abriu o ano com freedom’s goblin, que ouvi até enjoar e pegar nojo. Por isso, dei uma liberada com a parceria dele com o White Fence em “Joy”, uma pérola de psicodelia fuzz. Mas o que me pegou mesmo foi o disco de covers “Fudge Sandwich”, lançado há pouco tempo. “Slowboat” é de chorar.
Lógico que ainda tem muita coisa que me esqueci ou não estou com tempo para escrever agora. Tem os livros e hqS mais fodas de 2018 e mais uma porrada de assunto. Vou tentar alimentar este blog. Espero que ninguém leia isso aqui, ou não, fodasse. Estava sentindo falta de sentar e me desperdiçar meu tempo com algo sem sentido.
E eu preciso da estrada urgentemente, para poder ouvir todas essas músicas e berrar seus refrões entre uma tragada e outra num banza carburante classe A, um possante rasgando o asfalto e minha gata de minishort do meu lado com os pés descalços no painel.
noixxxx
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